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terça-feira, 5 de maio de 2009

Moradores do Bairro Primavera I sofrem com enchentes

O mês de maio teve início dramático para as famílias ribeirinhas do Piauí. De acordo com dados da Secretaria de Defesa Civil o número de famílias desabrigadas em todo o Estado é de 5.400, sendo 1.424 somente na capital. A zona norte é uma das áreas mais atingidas. Moradores da Rua Assunção, Bairro Primavera I, uma das primeiras áreas que alaga todo ano, mais uma vez tem passado por dificuldades.
Segundo o vendedor ambulante, Evaldo da Silva, esse ano a situação se agravou ainda mais, pois além da maior quantidade de chuvas, a construção do prolongamento da Avenida Marechal Castelo Branco dificultou o escoamento das águas. “O nível da água dentro da minha casa chegou aos 2,30m”, conta.
Moradora da Rua Assunção a mais de 20 anos, dona Socorro Santos diz ter consciência de que a água cumpre seu curso normal. “O povo é que é teimoso mesmo, vem morar aqui nessa baixada, mas esse é o lugar da água mesmo. Nós estamos em cima de uma lagoa”, diz.
Cadastrada no Programa Família Acolhedora da Prefeitura, ela abriga em sua casa três famílias, além de guardar pertences de outras três na garagem. Sua maior preocupação é de que a água chegue até sua casa e essas pessoas não tenham pra onde ir. “Eu tenho a casa de familiares, mas tem gente aqui que não tem ninguém”, conta.
O dinheiro que ela receberia por acolher essas famílias ainda não foi entregue e eles têm passado muita dificuldade nesse sentido também. O processo de recebimento do dinheiro será diferente esse ano. No ano passado os acolhedores recebiam R$150,00 independente de quantas famílias abrigassem, esse ano eles receberão os R$150,00 por cada família.
Até agora foram entregues 4.076 cesta básicas, mas cada família recebeu apenas uma. Quantidade insuficiente para manter famílias que chegam a ter até seis pessoas, como é o caso da lavadeira Marina Ferreira, casada, quatro filhos pequenos e impossibilitada de trabalhar esses dias. “Não posso sair de casa, tenho que ficar alerta para a qualquer momento ajudar a retirar as coisas da casa de dona Socorro”, diz.

Veja aqui vídeo da matéria
Fotos:
Foto 1
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Foto 3

Postado por: Viviana Braga

Entrevista: Robispierre Leite sobre a construção de galerias na cidade

O finado prefeito de Teresina, professor Raimundo Wall Ferraz (clique aqui para saber sobre ele), ficou conhecido como “Prefeito Tatu”, por investir maciçamente na construção de galerias. Mas muitos chegaram a reclamar, dizendo que “os buracos pela cidade tiravam sua beleza”.

Com o crescimento da cidade, percebe-se que a construção de galerias é fundamental para o escoamento das águas das chuvas. O gerente Robispierre Leite, do setor de Serviços Urbanos da Superintendência de Desenvolvimento Urbano da zona Leste (SDUL), concede uma entrevista às alunas de webjornalismo da Universidade Federal do Piauí, abordando o tema.


Galeria da Av. Presidente Kennedy (foto)


Saiba mais sobre a SDUL

Glossário da RHAMA Consultoria Ambiental

Vitruvius/Minha Cidade: Expansão da cidade de Teresina e degradação ambiental



UFPI: Por que a prefeitura não investe tanto na construção de galerias como deveria?

Robispierre Leite: Os políticos não têm recursos para construir galerias, pois além de terem um custo muito alto, não pedem de inauguração, não possuindo, portanto, muito valor e atenção na mídia. Eles, então, preferem investir na construção de praças, avenidas, prédios, e é uma crítica q eu faço à política em geral.


Rua da zona nobre de Teresina alagada (foto)


UFPI: Por que as alagações vêm aumentando tanto?


RL: As ações do homem na natureza, como, principalmente a impermeabilização dos solos, através de asfaltamento, calçamento de ruas, e etc, fazem com que ocorra uma grande concentração das águas das chuvas. Essas águas procuram um lugar pra onde fluir, como rios, lagoas ou galerias. A falta desses lugares para a evasão da água causa esse grande acúmulo de água pelas ruas da cidade, causando as enxurradas. Teresina não possui galerias suficientes para tanto volume de água que vem destruindo casas e automóveis dos munícipes.


UFPI: Que indicações de como evitar problemas estruturais maiores, ou sobre como recorrer em busca de ajuda, a SDU dá à população?


RL: Por conta das enchentes causadas pela grande quantidade de água acumulada nos rios, que vem de seus afluentes e principalmente das próprias chuvas, o número de afetados por alagações aumentou bastante. As galerias resolvem os problemas das enxurradas, que são as águas que procuram por onde fluir no meio urbano. Já a elevação do nível dos rios pode ser amenizada com a construção de novas barragens. O rio Parnaíba possui apenas uma barragem, o que não é suficiente para evitar enchentes, e o rio Poti nem sequer possui barragem. A SDU é encarregada em informar as pessoas sobre as zonas de risco e a retirada delas destas áreas, pois apesar da informação, as pessoas continuam a habitar tais áreas. A prefeitura procura dar todo apoio possível a essas famílias.

Neste último fim de semana, nós sabíamos que o rio Poti iria subir, e passamos todo este fim de semana trabalhando na retirada das famílias de tais áreas de risco.


UFPI: Que ajudas a prefeitura oferece às vitimas das inundações?


RL: Às casas de famílias de baixa renda, como por exemplo, as casas de taipa, que sofrem danos ou até mesmo são destruídas até mesmo pela umidade, e não pelas enxurradas em si, a prefeitura ajuda com reforço material, para que, quando possível, haja a restauração física da habitação.

Casas de família de média e alta renda que foram destruídas recebem ajudas da prefeitura quando solicitada, como caminhões para transporte e retirada de materiais e etc.

Possuímos também, o projeto “Família acolhedora”. A família que se propõe a ajudar outra família que tenha sido afetada pelas alagações, recebe ajuda em dinheiro e em alimentação pela prefeitura, para acolher essas tais famílias desabrigadas por um certo período de tempo, que dura em torno de 3 meses.


Av. Presidente Kennedy (foto)


Postado por: Luana Campos